Nem todo mundo vai se tornar um grande artista. Mas um grande artista pode surgir de qualquer lugar.
— Anton Ego, Ratatouille
Recentemente, li um artigo do Jorge Manrubia, Principal Engineer da 37signals, que me fez parar por alguns minutos.
Eles abriram uma vaga para desenvolvedor júnior. Mais de 1.600 pessoas se candidataram. No final, contrataram alguém que não tinha faculdade na área de tecnologia, mas que demonstrou, na prática, domínio, clareza e paixão pelo que fazia.
Essa pessoa vai ganhar mais de 140 mil dólares por ano.
Contratamos alguém que não tinha formação formal em engenharia de software. O que ele tinha eram boas referências e um portfólio sólido de projetos. Ele se destacou não pelo diploma, mas pelo trabalho.
— Jorge Manrubia
E essa história me lembrou muito do meu próprio começo...
A faculdade não me preparou
Sim, eu fiz faculdade. Sistemas de Informação. Passei por todas as matérias, entreguei trabalhos, aprendi teoria. Mas mesmo me esforçando, eu não conseguia criar um projeto real do início ao fim.
A sensação era de estar sempre travado. De faltar uma peça. E ela faltava mesmo: a prática.
Foi só quando entrei no meu estágio que comecei a entender como as coisas funcionavam de verdade. Que nem tudo precisa ser feito do zero. Que existe uma comunidade gigante de código aberto e ferramentas prontas pra facilitar o processo. Que produtividade e qualidade não são opostos — são compromissos.
E, principalmente: que o mercado não quer quem sabe. Quer quem resolve.
Saber fazer importa mais que saber falar
Um dos erros que mais vejo hoje em quem está começando é esperar demais: o momento perfeito, o conhecimento ideal, a validação externa, o diploma.
Mas aqui vai a real: ninguém vai te contratar por tudo que você pretende aprender. Te contratam pelo que você já consegue entregar hoje — por mais simples que seja.
Não tô dizendo pra ignorar a teoria. Pelo contrário: ela é essencial. Mas ela não serve pra nada se você não coloca em prática.
A faculdade até te ensina os conceitos.
Mas não te mostra como criar um projeto passo a passo. Com dúvidas reais, erros no terminal, decisões de arquitetura, prazos apertados e clientes esperando.
Qualquer um pode programar
Essa é a parte que me conecta com Ratatouille — sim, o filme da Pixar.
A frase do Chef Gusteau, “Qualquer um pode cozinhar”, é reinterpretada no final pelo crítico Anton Ego:
Nem todo mundo vai se tornar um grande artista. Mas um grande artista pode surgir de qualquer lugar.
E é exatamente assim que eu enxergo a programação.
Nem todo mundo vai virar um programador de destaque. Mas um bom programador pode vir de qualquer lugar.
Do interior. De uma faculdade pública sem estrutura. De um curso gratuito no YouTube. De alguém que trabalha o dia inteiro e estuda à noite. O que importa não é o lugar de onde você vem, mas o que você decide fazer com o que tem.
Comece com o que você sabe
Se hoje você sente que sua faculdade não te preparou… você não tá sozinho.
Mas também não precisa ficar parado. Começa com o que você sabe. Faz um projeto simples. Apanha. Corrige. Aprende. E segue.
A prática não te afasta da teoria — ela te leva pra mais perto dela.
No fim do dia, não importa se o seu diploma é bonito.
O que importa é se você consegue entregar. Resolver. Evoluir.
Porque sim, qualquer um pode programar.
Mas só quem pratica de verdade é que progride.
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