O cliente faz algumas perguntas inocentes na primeira reunião: suporte a recorrência mensal ou anual, parcelamento, Pix com desconto, cancelamento no meio do mês, boleto pra quem ainda precisa. Você anota tudo, se sai bem na conversa, assina o contrato e emenda um "deixa comigo" enquanto fecha seu notebook.
Ao chegar em casa, sentado pra iniciar a implementação, percebe que cada um daqueles questionamentos é uma decisão de arquitetura disfarçada de pergunta despretensiosa.
Numa rápida busca pela internet sobre Gateways de Pagamentos, abre vinte abas. Stripe, Asaas, Pagar.me, Iugu, AbacatePay e Mercado Pago. Ao analisar, descobre que cada um usa palavras parecidas pra coisas diferentes. O que a Stripe chama de subscription não é exatamente o que o Asaas chama de assinatura. O que um chama de split o outro chama de transferência. Você fica confuso.
Não porque você é burro, nem porque não entendeu os detalhes da documentação, mas porque existem coisas que nenhuma doc online vai te contar. É necessário que seja construída uma camada de domínio no seu projeto, e nenhum prompt genérico vai conseguir resolver 100% do seu problema.
Vou ser direto: pagamento não é algo difícil tecnicamente. A API da Stripe é uma das mais bem documentadas que existem. Qualquer agente de IA conseguiria te explicar como enviar uma requisição de pagamentos, ou implementar pra você. O difícil é pensar pagamentos, de uma maneira que atenda exatamente as regras de seus projetos. E quando você não consegue, seu projeto padece:
seu sistema cobra duas vezes uma assinatura;
você corta o acesso de alguém por uma falha momentânea da bandeira do cartão;
ou não envia o pagamento de um usuário, mas ele continua usando seu SaaS normalmente.
Nenhuma dessas situações é resolvida apenas lendo um manual de integração de um gateway. Todas são resolvidas no seu modelo mental de como seu sistema deveria funcionar.
Pensando nisso, essa aula não terá código. Isso ficará para as próximas aulas. Aqui, nosso objetivo será construir, juntos, o vocabulário que vai seguir na sua bagagem pelo resto desta edição: sete conceitos que se repetem em todo gateway do mundo, e dois deles têm detalhes específicos do mercado brasileiro que ninguém te avisa.
A diferença é que a gente não vai aprender esses conceitos numa lista. Vamos seguir o dinheiro. Da decisão de compra até a nota fiscal emitida. É a única forma de enxergar pagamento como o sistema que ele é, e não como sete entidades soltas pra decorar.
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!